Neil Robertson conquista mais um campeonato

E O'Sullivan é de novo o vice-campeão

A classe de 92 jamais deixou de ser produtiva. Mark Williams ganhou o inaugural WST Pro Series, conquistando o vigésimo terceiro título da carreira. Foi um torneio longo que começou em janeiro e terminou em março e todas as etapas ocorreram em Milton Keynes. Na verdade, ele levantou a taça (muito feia, diga-se de passagem) no dia do seu aniversário de 46 anos. O campeão não demonstrou muito apreço pela sua conquista, mas não há como negar que foi um grande feito dada a qualidade dos adversários. O último grupo contava com outros sete jogadores muito competentes: Ali Carter, Sam Craigie, Judd Trump, Stuart Bingham, Xiao Guodong, Kyren Wilson e Jack Lisowski. Williams venceu seis e perdeu uma única partida para Stuart Bingham; o que foi mais do que suficiente para garantir o primeiro lugar do grupo e, portanto, o campeonato. O prêmio foi um tanto modesto em comparação a outros torneios, mas nem tudo nessa vida é dinheiro. Mark Williams garantiu uma vaga no prestigiado Campeão dos Campeões, que deve ocorrer no mês de novembro sabe-se lá onde. Normalmente o Campeão dos Campeões acontece em Coventry.

Mark Williams quebra jejum de títulos

O australiano Neil Robertson venceu o último campeonato antes do mundial: o prestigiado Cazoo Tour Championship, cujos competidores foram os oito melhores jogadores da temporada. O torneio ocorreu no País de Gales, no mesmo lugar onde ocorreu o Welsh Open, e começou no dia 22 de março. O número 1 do mundo, Judd Trump, perdeu em sua primeira partida para Barry Hawkins (10-7). O atual campeão mundial, Ronnie O'Sullivan, que afirmou ter problemas com seu taco e inclusive considerou desistir do torneio, derrotou John Higgins (10-8). Ainda na primeira rodada, Neil Robertson derrotou Jack Lisowski (10-5) e Mark Selby derrotou Kyren Wilson (10-3). Nas semifinais, Neil Robertson destruiu Mark Selby (10-3) fazendo três tacadas centenárias no processo. Por outro lado, a outra semifinal entre O'Sullivan e Hawkins foi muito mais dramática. Hawkins começou muito bem a partida vencendo os dois primeiros frames com tacadas de 125 e 138. Hawkins também venceu o terceiro frame. O'Sullivan reagiu e virou o jogo (4-3) e Hawkins venceu o último frame da sessão, que terminou empatada (4-4). Na segunda sessão, Hawkins abriu uma vantagem expressiva no placar (9-6), mas mesmo assim perdeu o jogo por 10-9. Hawkins teve algumas chances de liquidar a partida, mas por algum motivo não soube aproveitá-las. O'Sullivan ganhou 4 frames seguidos para garantir seu lugar em mais uma final (a quinta da temporada).

A final foi disputada neste último domingo (28 de março). A primeira sessão foi algo bonito de se ver. Duas tacadas centenárias por parte de cada jogador num jogo de altíssimo nível técnico. A primeira sessão terminou empatada (4-4), porém o australiano se divertiu sozinho na segunda sessão. Robertson não encontrou a menor resistência para ganhar 6 frames consecutivos e conquistar o vigésimo título da sua carreira. Mostrando toda a beleza do seu jogo 'A', o campeão fez outras três tacadas centenárias na segunda parte do jogo (foram cinco no total): 123, 119 e 114, sendo que esta última lhe deu seu segundo título na temporada. Ronnie O'Sullivan fez míseros 26 pontos na segunda sessão (enquanto Robertson fez mais de 650 pontos) e sua tacada mais alta foi 8. Com mais esta derrota, o lendário campeão mundial quebrou um recorde muito desagradável que ele mesmo havia estabelecido semanas antes, tornando-se o primeiro jogador da história do esporte a perder cinco finais numa única temporada. Dado que esta foi a última competição importante antes do mundial, é bem pouco provável que ele venha a conquistar o heptacampeonato. Escrevo isso porque sua confiança deve estar muito abalada neste momento tão crítico da temporada e não considero a conquista de cinco vice-campeonatos como motivo de orgulho. Neil Robertson, ao contrário, agora aparece como um dos favoritos a ganhar o mundial. O australiano começará sua campanha pelo bicampeonato mundial vivendo uma ótima fase. Ainda acho que Judd Trump é o grande favorito, seguido de perto por John Higgins e Mark Selby.

As eliminatórias para o mundial começam na semana que vem. Dentre as partidas iniciais, uma merece destaque: o confronto entre dois ícones do esporte. Stephen Hendry irá enfrentar Jimmy White na primeira etapa. Pra quem não sabe, White é famoso por ser o melhor jogador da história que nunca conseguiu se tornar campeão mundial. Ele chegou em cinco finais em cinco anos consecutivos - de 1990 a 1994 - e perdeu todas, quatro delas para Hendry e uma para John Parrott em 1991. O placar na final de 1993 foi um tanto elástico: 18-5 em favor do escocês. O encontro das lendas do passado irá ocorrer no dia 5 de abril. A tabela completa encontra-se no site oficial do circuito (Betfred World Championship 2021 Qualifiers). É óbvio que esta será a partida mais icônica das eliminatórias. Jimmy White (58) é um veterano e uma figura carimbada no circuito principal, e Stephen Hendry (52) voltou da aposentadoria para jogar duas (ou talvez mais) temporadas. Quanto às moças, Reanne Evans irá enfrentar Andy Hicks e Rebecca Kenna irá enfrentar Brandon Sargeant. 

E já que o calendário segue frenético, a Championship League Snooker (CLS) será concluída nesta semana. No fim é mais uma oportunidade para os poucos jogadores que ainda estão na competição de terem sessões de treino antes do mundial e ganharem algum dinheiro por isso. Afinal, prática remunerada com juiz e mesas apropriadas para competições é muito melhor do que as boas e velhas sessões de treino em clubes.

E para concluir, haverá plateia no Crucible. Para aqueles que ainda não sabem, Crucible é o nome do teatro, localizado em Sheffield, onde ocorre o campeonato mundial de sinuca. O lugar tem capacidade para aproximadamente 900 pessoas. Neste ano, contudo, pretende-se vender cerca de 300 ingressos. Isso só será possível se o governo britânico não voltar atrás, como aconteceu no ano passado. Além disso, pretende-se lotar o teatro na final do mundial, decisão que causou muita polêmica essa semana. De qualquer maneira, será exigido que os espectadores apresentem um teste negativo para COVID-19 antes que lhes seja permitido entrar no teatro. Ainda não há muitos detalhes de como isso irá funcionar. Tempos malucos esses em que vivemos, infelizmente.

Crédito das imagens: wst.tv